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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu sou você


Desde pequena, quando eu ganhei uma boneca grávida que vinha com um bebê na barriga falsa, eu esperava por você. Enquanto alisava a pequena mecha de cabelos da boneca "Meu Bebê", imaginava pentear seus cabelos e acariciar seu rosto. Das duas bonecas dessa que eu tinha, uma tinha o nome de Ana Carolina.


Um pouco mais crescida, já sabendo que os bebês não são trazidos pela cegonha, imaginava como seria minha família: o papai, você e eu com vocês. Fazia planos, mesmo sem ter conhecido ainda o papai, mas já sabendo que seria alguém muito especial e que viria no tempo certo.


No dia em que o vi pela primeira vez, disse a quem estava comigo que eu iria me casar com ele, mesmo sem saber quem ele era, de onde vinha e pra onde ia... Mesmo sem ter trocado uma palavra, sem saber seu nome... Eu já sabia que ele era meu e eu era dele.


Mas, voltando a você, filha... Sempre fiz planos para você, te quis desde sempre. Comprei roupinhas, mesmo sem saber se você seria menina ou menino - e não tinha vergonha quando todos me achavam precipitada por ter apenas meses de casada e por planejar um filho pra dali a 2 ou 3 anos.


Desde aquele 15 de julho, quando confirmamos a gravidez, eu sou inteiramente sua. Fui sua casa, seu conforto, seu calor, seu travesseiro. Sua fonte de energia, de água, de amor e de oxigênio. Fiz de mim o melhor habitat que um bebê em formação poderia ter: comia beterraba e cenoura todos os dias (mesmo não gostando), fazia atividade física (mesmo não querendo), não deixava nada me abalar emocionalmente, andava a passos calmos e firmes. Evitei as besteiras, que até então eram o meu combustível. Deixei de lado velhos hábitos e dei lugar à mãe que eu sempre quis ser.


Orei por você em minha barriga todos os dias, e só pedia a Deus que você fosse um bebê saudável, cheio de alegria e temente a Deus. E num é que ele me atendeu?


E hoje, além de tudo isso, sou suas pernas e te levo pra onde sei que você quer ir. Te ajudo a tocar a parede, a buscar o balão no teto, a acariciar as galinhas do enfeite da porta da cozinha. Te carrego pro banho, pro quarto, pra casa. Te conforto no choro repentino da noite, na volta do trabalho (quando, de uma menira única e emocionante, você abre os bracinhos e me chama). Estremeço e me entrego quando você me puxa pra perto de você e segura firme em mim (seja nos cabelos, nos braços, na roupa...) querendo que eu não saia mais de perto de você.


Quero ser seu ombro amigo, a mão que te segura nos primeiros passos, o colo quente e o carinho que alivia a dor. Quero ser.


E não estou escrevendo isso tudo para dizer que eu sou a melhor mãe do mundo.... Mas pra dizer que sou, sim, a mãe mais feliz de todas.


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dançamos ontem juntas, de rosto coladinho.

"Hoje eu me peguei
Pensando em você
Te amo e nem sei como eu amo (coisas do amor)
Quero não lembrar
Que, às vezes, sem querer
Me apanho falando em você
Lembranças de nós dois (retratos e canções)
Um filme de amor
Que nunca chega ao fim
Quem sabe se você
Ainda pensa em mim
Te amo e nem sei como eu amo
Dói no coração
As vezes que eu lembrar
Te amo e só quero te amar"



terça-feira, 25 de agosto de 2009

E se assim fosse?

Filha, hoje tive medo de morrer.

Ontem fomos dormir cedo, você e eu, pois o papai trabalhou até tarde. Eram 22h e já estávamos as duas nos braços do Papai do Céu, dormindo. 1h você acordou pedindo meu colo e mamou até 2h. Depois acordou às 4h59, exatamente um minuto antes do meu despertador tocar. E mamou por mais 40 minutos. O papai já havia tomado banho e deixei você com ele e fui para o chuveiro.

Não foi um banho demorado e a água não estava tão quente para justificar tanto mal-estar. Senti meu coração disparar e tudo foi ficando escuro. Chamei o papai e pedi que ele te colocasse no berço para me socorrer. E ele, com muito carinho, atenção e preocupação me ajudou a sair do chuveiro e se preocupou quando me joguei na cama, molhada mesmo, por não aguentar mais ficar em pé. Foram alguns instante de muito mal-estar, coração disparado e medo. Segurei nas mãos de Deus e o papai deitou comigo na cama e me abraçou bem forte.

Naquele momento, tive medo de não te ver crescer, de não te ver falar "mamãe", de fazer falta pra você. De não estar na porta da escola no seu primeiro dia de aula, de não segurar sua mão na primeira visita ao dentista, de não levantar os braços com você na primeira montanha russa. Medo de você não ter meu colo nas noites frias, de não ter meu assoprar nos seus machucadinhos, de não ter meu abraço na primeira decepção com as amiguinhas. Medo de não poder te ensinar a cantar, de não pintarmos juntas as unhas de rosa, de não estar presente na sua primeira apresentação de ballet.

Tive medo de deseperar o papai, por isso fui dizendo que estava tudo bem. E segurando nas mãos de Deus e apoiada no papai, tudo foi começando a ficar bem, de verdade. Pra ser sincera, ainda estou meio lenta, não consigo raciocinar direito, mas às 11h tenho uma reunião "daquelas", e então voltarei ao meu estado normal.

Te peguei do berço, coloquei no meu colo e te abracei, com todo meu amor. Agradeci muito a Deus por mais esse livramento e por ter permitido que eu não tenha mais esses medos.

Escrevi tudo isso aqui não para você ter medo também, mas para saber que a vida é assim. E estamos sempre sujeitos à vontade de Deus. Por mim, pequenina, eu viveria pra sempre, só pra te fazer feliz.