terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Gratidão

Filha,

Há alguns meses a mamãe estava sofrendo por conta de um grande dilema. Eu precisava te colocar para dormir no seu quarto, mas não conseguia imaginar dormir sem ter você ao meu lado - no seu berço, mas ao meu lado.

Por alguns meses fui trabalhando a idéia de te migrar pro seu quarto. Questionei amigos, amigas, vovós, médicos, livros, matérias e entrevistas... Sou macho para admitir que estava bem relutante.

Eu pensava: "Fico fora de casa das 6h30 às 19h. Chego, mal dou a papinha, o banho e já coloco-a para dormir. Pouco tempo... Ela dormindo ao meu lado me dá a sensação de estar mais próxima..."

E resisti bravamente até o último domingo, quando na igreja vi um rostinho lindo no canto de uma das poltronas olhando para mim e mostrando os cinco dedos de uma mãozinha. Logo a Júlia veio me dizer que aquela pequena se chamava Maria Clara, que tinha 5 anos e era a primeira visita dela na nossa igreja. Na hora do café eu soube que ela e a mãe estavam há 3 dias dormindo nas ruas pois haviam deixado para trás uma história de violência doméstica. estavam lá buscando auxílio.

Filha, aquilo me cortou o coração! Ver a pequena Maria Clara vestir uma blusa de frio de adulto, pois não tinha como se aquecer, cortou meu coração. Ela molhava o pão no café com leite como se fosse uma iguaria deliciosa e rara. Seus olhos demonstravam ingenuidade e noção nenhuma do que estaria por vir.

Foi um dia frio, chuvoso e de muita introspecção para mim. Me senti a mais superficial das criaturas quando vi que estava "pensando se ia te colocar pra dormir no seu quarto" enquanto a Maria Clara dormia numa calçada, com uma caixa de papelão como colchão.

Naquele momento pedi perdão a Deus, porque percebi que não havia consultado Ele nessa questão... E Ele me mostrou o que eu deveria fazer por meio da vida da Maria Clara. Meu coração está numa mistura de gratidão (por tudo o que Deus faz por nós) e tristeza (por pensar no quê essa menina está passando nas ruas).

Te colocar no berço, no seu quarto, depois de um bom banho e mamadeira quente me faz refletir o quão bom Deus tem sido para nós, sendo que muitas vezes não O percebemos nos detalhes.

Espero voltar aqui para contar que essa história teve um final feliz.

Um pequeno passo para o homem...

Ontem você engatinhou! Foi a primeira vez que você se deslocou por mais de 2m sem ser se arrastando! Apoiou os joelhinhos e as mãos no chão e, cuidadosamente, ansiou por um pacote de presente que estava no pé de um dos sofás.

Foi lindo! Estávamos de espectadoras a vovó Lúcia e eu. Confesso que quase chorei, afinal ver cada uma de suas evoluções me torna uma pessoa melhor e mais sensível...

É isso aí, piliquiti. Rumo a grandes conquistas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ela vai assim: coelha

Ela foi assim pra um monte de lugares, pois esse era o macacão mais quentinho do mundo inteiro do Papai do Céu, e serviu justamente até o final do inverno.






Macacão coelho GAP
Mamãe (1ª foto)
Vovó Lu (outras fotos)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ela vai assim

Ela foi assim ao aniversário da Tia Ayla, em abril. Primeira atividade social dela - de quebra uma festa phyna.

.Conjunto moleton Zara
.Tênis presente da Tia Fernanda
.Faixa acervo pessoal u.u (acho isso o máximo!)




Nesse dia ela foi para o culto com um sobretudo de sarja rosa Geisy e legging preta, além da bota rosa phyna e chic benhê:


. Sobretudo Chicote, presente da Tia Néia
. Legging preta Gôg Basic
. Bota Klin
. Touca feita pela Tia Bete,
pra não pegar friagem

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ela vai assim: malha branca e legging

Na verdade, ela foi assim para um culto de domingo, quando tinha menos de dois meses.



. Malha branca Gôg Basic
. Legging preta Gôg Basic
. Sapato de laço prata Pimpolho,
presente da Tia Tati

Ela vai assim

Inspirada na Tia Lia (Just Lia )e no Hoje Vou Assim, vamos começar uma sessão nova aqui no Para Minha Ana.
Vamos mostrar, filha, que você é phyna e charmosa, e que dá para ser uma baby fashion.
Como tem um tanto de looks seus que não são tão recentes, mas são lindos, vamos resgatá-los.

Primeiro de todos: você, no oitavo mês de gestação, na barriga da mamãe.

Camisa branca e flor: acervo Newton Medeiros (www.newtonmedeiros.com.br)

Sapatinho de lã rosa: Carambolina

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Susto

Filha, ontem terminou um pesadelo “daqueles” na minha vida.

Há duas semanas apareceram pintinhas vermelhas no meu corpo e, em uma semana, suspeitaram que a mamãe tinha baixa de plaquetas, depois meningite e por último leucemia. Uau! Quantos nomes feios, né?
Pois é, mas o Deus a quem servimos tem um nome mais simples que esses aí, porém domina sobre tudo e todos.
Tudo não passou de um grande susto e, como conseqüência da falta da fé da mamãe, sobrou-me uma gastrite nervosa.

Mas esse blog existe não para falar de mim, e sim falar para você. E nesses dias de tensão eu só pude pensar em você, e não em mim – mas o que eu sou para você. Tantos pensamentos, tantos sentimentos.

Enfim, fato é que o poder do nosso Deus se manifestou novamente e tudo não passou de um grande susto. Um dia, filha, você vai compreender essa grandeza... Você já O louva e o adora, mesmo em sua inocência ao bater palminhas, dançar ou acompanhar um louvor com sua voz fininha e afinada. Mas um dia O compreenderá em razão.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Atualizando

Tantas coisas que nem sei por onde começar...

Casamento dos seus padrinhos
Sexta-feira, dia 30/10, foi casamento do Tio Juninho e da Tia Tata. Lindo, coisa de cinema, de chorar muito. Eles estavam super felizes e bem nervosos, o que dava mais emoção ainda. E você estava um luxo... huhuhuhu... Entrou com a gente no cortejo de padrinhos e se comportou direitinho durante a cerimônia e a festa. Dormia um pouquinho, acordava dançando e dormia dançando... Isso por várias vezes até 4h.

Mexe e remexe
Essa semana você aprendeu muitas coisas:
1) Que alguns brinquedos seus fazem barulho quando se chacoalha. Agora, tudo o que você pega na mão recebe um mega agito, pra ver se faz barulho também.
2) Que bater as mãos na água da banheira durante o banho é legal e molha a mamãe.
3) Que você pode engatinhar! Você rola por todo o chão e já ensaia engatinhar.
4) Que dormir no calor é difícil. Ontem fomos para a cama às 21h30 e você rolou freneticamente na cama até 23h30, sem parar um segundo. E a madrugada toda foi assim também. Você virava de bruços, enfiava a cabeça debaixo do protetor do berço e não conseguia desvirar. Resultado: mamãe passou a noite em claro te socorrendo.

E a mamãe aprendeu também: que apesar do sono da noite em claro, do cansaço para trabalhar e das olheiras negras, você é a melhor parte de mim.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Palmas

Preciso registrar.

Domingo, dia 18 de outubro, você viu que pode bater palmas. Era só alguém começar a cantar o "Parabéns a você", que logo suas pequenas mãos se juntavam, não exatamente em palmas, mas com a intenção de corresponder à música. Que delícia!
Todos nós ficamos mais apaixonados ainda ao ver você reagindo aos nossos estímulos. E toda hora pedíamos que você batesse suas palminhas. Na terça pela manhã, estávamos indo para o carro e você, sonolenta ainda, cantarolava uma tentativa de parabéns e batia as duas mãos, com os olhos quase fechando. Doía o coração de tão gostoso.

Ontem você já estava com os movimentos mais refinados e conseguia definir melhor as palminhas. E, a qualquer momento, e mesmo sem o incentivo da música, você batia palmas. Como quem treina. Mais delícia ainda.

***
Em tempo: essa noite você começou a pegar a chupeta e tentar colocar na boca. Rumo à independência - nesse quesito, pelo menos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu sou você


Desde pequena, quando eu ganhei uma boneca grávida que vinha com um bebê na barriga falsa, eu esperava por você. Enquanto alisava a pequena mecha de cabelos da boneca "Meu Bebê", imaginava pentear seus cabelos e acariciar seu rosto. Das duas bonecas dessa que eu tinha, uma tinha o nome de Ana Carolina.


Um pouco mais crescida, já sabendo que os bebês não são trazidos pela cegonha, imaginava como seria minha família: o papai, você e eu com vocês. Fazia planos, mesmo sem ter conhecido ainda o papai, mas já sabendo que seria alguém muito especial e que viria no tempo certo.


No dia em que o vi pela primeira vez, disse a quem estava comigo que eu iria me casar com ele, mesmo sem saber quem ele era, de onde vinha e pra onde ia... Mesmo sem ter trocado uma palavra, sem saber seu nome... Eu já sabia que ele era meu e eu era dele.


Mas, voltando a você, filha... Sempre fiz planos para você, te quis desde sempre. Comprei roupinhas, mesmo sem saber se você seria menina ou menino - e não tinha vergonha quando todos me achavam precipitada por ter apenas meses de casada e por planejar um filho pra dali a 2 ou 3 anos.


Desde aquele 15 de julho, quando confirmamos a gravidez, eu sou inteiramente sua. Fui sua casa, seu conforto, seu calor, seu travesseiro. Sua fonte de energia, de água, de amor e de oxigênio. Fiz de mim o melhor habitat que um bebê em formação poderia ter: comia beterraba e cenoura todos os dias (mesmo não gostando), fazia atividade física (mesmo não querendo), não deixava nada me abalar emocionalmente, andava a passos calmos e firmes. Evitei as besteiras, que até então eram o meu combustível. Deixei de lado velhos hábitos e dei lugar à mãe que eu sempre quis ser.


Orei por você em minha barriga todos os dias, e só pedia a Deus que você fosse um bebê saudável, cheio de alegria e temente a Deus. E num é que ele me atendeu?


E hoje, além de tudo isso, sou suas pernas e te levo pra onde sei que você quer ir. Te ajudo a tocar a parede, a buscar o balão no teto, a acariciar as galinhas do enfeite da porta da cozinha. Te carrego pro banho, pro quarto, pra casa. Te conforto no choro repentino da noite, na volta do trabalho (quando, de uma menira única e emocionante, você abre os bracinhos e me chama). Estremeço e me entrego quando você me puxa pra perto de você e segura firme em mim (seja nos cabelos, nos braços, na roupa...) querendo que eu não saia mais de perto de você.


Quero ser seu ombro amigo, a mão que te segura nos primeiros passos, o colo quente e o carinho que alivia a dor. Quero ser.


E não estou escrevendo isso tudo para dizer que eu sou a melhor mãe do mundo.... Mas pra dizer que sou, sim, a mãe mais feliz de todas.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

O dia que você nasceu...

Filha, como demorei para começar este blog, tenho um tanto de momentos importantes para registrar que já passaram. E sinto que devo fazer isso logo, pois minha memória não é lá aquelas coisas...

Era uma quinta-feira ensolarada. Lembro-me de ter dormido bem e a noite inteira. As contrações ainda eram espaçadas, mas sentia que realmente aquele era o seu dia. Isso porque marcamos seu nascimento para o dia 12 de março, quando completaríamos 9 meses de gestação. Marcamos a data porque infelizmente eu não estava apta a tentar o parto normal, e já que era para decidir, escolhemos uma data bonita: 12. Mas, mesmo que não tivessemos decidido, aquele seria o seu dia.

Acordei bem cedo, fui até a sala e olhei para as malas que já estavam prontas e a postos, perto da porta, havia algum tempo. Peguei a filmadora, e acordei o papai para o dia mais importante da vida dele.

Era um dia incrível, bem azul e amarelo. Eu já tinha feito tudo o que devia, só faltava ajeitar os cabelos (se eu não tivesse ajeitado, certamente você teria chorado muito mais ao nascer e ver a situação da mamãe). Deitei-me no sofá para esperar o tempo passar e coloquei o DVD do Trazendo a Arca, emprestado do Tio Japa e Tia Kinha.

Devo confessar que, apesar de não aparentar, meu coração estava eufórico, numa mistura estranha de medo, ansiedade, felicidade, insegurança... Medo da cirurgia, dos procedimentos, da anestesia, de ficar sozinha na sala de recuperação sem o papai. Ansiedade para ver logo seu rosto lindo, te sentir no meu colo e ver a perfeição de Deus em você. Felicidade por realizar meu maior sonho, por ver se fazer carne o amor que papai e eu sentimos. Insegurança por não saber se daria conta de suprir todas as suas necessidades, se conseguiria plantar em você sementes boas, se te inspiraria a ter um caráter cristão... Quanta coisa!

E então, Deus sutilmente falou comigo por meio do louvor "Sobre as águas". Naquele momento comecei a chorar feito criança. Chorei bem mais do que você, horas depois. Deus me mostrava que Ele estava acima de tudo e que minhas ansiedades e medos deveriam ser lançados em Seus pés. E foi o que fiz. Assim como se faz com o pai, eu me deitei no colo dEle e chorei bastante... Daquele choro que alivia a pressão do peito. Um choro tão eufórico e estranho quanto meu coração... Também de alegria, felicidade, medo, insegurança... E entrei numa sintonia incrível com o Espírito Santo, que não me deixou um minuto sequer.



Depois de me refazer, almocei um filé de frango com purê de batatas e iniciei o jejum, necessário para a cesárea. E continuei ligada em Deus. Fui à cabeleireira e continuei ligada em Deus. Depois fomos para o hospital o papai, o vovô Jorge, a vovó Lúcia, a vovó Su e nós duas. Na internação, me senti como se estivesse fazendo check in num hotel... Mas para iniciar a estadia da melhor viagem da minha vida.

Você é muito querida, filha! Aos poucos nossos amigos e parentes iam chegando, todos muito ansiosos por sua vinda. No final das contas, o hall do berçário estava cheio de gente querida - umas 50 pessoas! O papai disse que ouviu uma pessoa comentar no elevador: "Xi, nasceu o filho do Ronaldinho! Tem muita gente aí!"... huiahaiuha....



Enquanto esperávamos a Dra. Elaine chegar, as contrações iam aumentando, e meu coração disparava. E, por volta de 19h, fomos para o centro cirúrgico. Que emoção. Quanta alegria...



Às 20h começaram os procedimentos e a Dra. Elaine confirmou o que suspeitávamos: a placenta não aguentaria mais 3h... Aquele, realmente, era o seu dia, querida! Exatamente às 20h36 você surgiu por detrás daquele pano azul, e aqueceu aquela sala fria com sua presença. Quando você começou a chorar, papai segurou sua mão pequena e falou com você... E logo você parou de chorar...



Quando ouvi seu choro pela primeira vez, chorei também... De soluçar! Eu sabia que aquele som seria um alarme pra minha vida, que seria o som mais forte, que me faria deixar tudo e todos para socorrer. Sabia que ali começava a melhor etapa da minha vida, que eu deixaria de ser eu e seria para você.



E você veio no colo da enfermeira e foi aconchegada no meu ombro.... E quando seu rosto tocou o meu rosto, você parou de chorar. Nunca vou me esquecer da sensação da sua pele naquele momento. A melhor sensação da vida! E ficamos ali, nós três, por um bom tempo, te recepcionando em nossa família com muito amor e carinho. E falávamos com você, como se você entendesse... E entendia.



Depois, você foi para o berçário e fez chorar todos os que estavam lá te esperando. E eu fui para a sala de recuperação, Tontinha da Silva.



Por volta de 22h30 eu fui para o quarto com o papai e te esperamos até 2h da manhã, quando você veio para mamar pela primeira vez. Que delícia! Apesar de não me lembrar de muita coisa, pois ainda estava sob efeito da anestesia, lembro-me bem de fazer todo o esforço do mundo para estar acordada e te alimentar.



(Aliás, eu resisti bravamente ao efeito da anestesia... O papai diz o contrário. Afirma que, durante o procedimento cirúrgico, eu falava para o anestesista: "Dr., se o sr. perguntar meu nome, digo que é Bin Laden". HA HA. Eu??? Num disse nada disso).



Foi assim que você chegou... Os outros dias no hospital foram mesclados de serenidade (sábado pela manhã foi o período mais gostoso, jamais me esquecerei daquela sensação de paz: papai colocou louvores pra tocar no notebook; vovô Jorge preparando a pregação do dia seguinte; vovó Lu, mamãe e você dormindo, como três anjinhas) e agitação (chegamos a ter mais de 30 pessoas ao mesmo tempo no quarto e quase 120 visitas no total - uhuuu queridona!).



Saímos do Hospital São Luiz dia 15 de março por volta do meio dia. E eu te carregava com todo cuidado do mundo, como uma criança que esperou por muito tempo para ter sua boneca de porcelana e quando ela chegou, envolveu-a em seus braços com todo cuidado e amor...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dançamos ontem juntas, de rosto coladinho.

"Hoje eu me peguei
Pensando em você
Te amo e nem sei como eu amo (coisas do amor)
Quero não lembrar
Que, às vezes, sem querer
Me apanho falando em você
Lembranças de nós dois (retratos e canções)
Um filme de amor
Que nunca chega ao fim
Quem sabe se você
Ainda pensa em mim
Te amo e nem sei como eu amo
Dói no coração
As vezes que eu lembrar
Te amo e só quero te amar"



video

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Nosso herói

Hoje perdemos a hora. Dia de rodízio, devemos acordar às 4h, sair de casa às 5h, te deixar na vovó Su às 5h30 e seguir para o Senac. O despertador do celular tocou mas, eu e minha mania do "só mais 5 minutinhos...", perdi a hora. Acordei com você me olhando fixamente, e procurando sua petita. Como se dissesse: "Mamãe, acorda pra me dar a chupeta e veja que está atrasada". Olhei no celular e já eram 4h54. Jesus!

Pulei da cama e puxei o papai junto. Enquanto tomei banho, ele escovou os dentes, lavou o tira leite e ajeitou suas coisas. Depois, eu corri para me ajeitar e em menos de 20 minutos estávamos prontos, no elevador.

Você mamou durante o percusso todo até a casa da vovó. E quando paramos o carro em frente à portaria, tentei tirar o peito e você ainda o procurava. Aí meu coração partiu. Você queria mais de mim, e eu mais de você.

Te deixamos com a vovó Su, que já te esperava de café tomado, pronta, como se fosse 8h da manhã, e não quase 6h. E seguimos voando para o Senac, com medo de ultrapassar o horário do rodízio.

Cheguei aqui 6h23, ligeui o computador e coloquei de cara um louvor - tem dias que a gente precisa mais de Deus do que se imagina. E, colocando minhas coisas no lugar, abri a sacola verde com flores de fuxico que fizemos na igreja no dia das mães, e vi um embrulho de papel toalha. Era um pão com manteiga sem miolo, do jeito que eu gosto e que o papai preparou pra mim.

Quando vi, meus olhos encheram de lágrimas: mesmo em meio à correria e ao atraso, o papai parou pra pensar em mim, pra me agradar. Tenho certeza que ele mesmo não comeu nada - e ainda não deve ter comido. Mas pensou em mim, e não nele.

Ele é assim, filha, você vai ver. Pensa muito em nós, cuida muito da gente.

Estou lendo um blog de uma mulher que relata como é criar seu filho sozinha, sem o marido, que faleceu 2 meses antes do bebê nascer. E por alguns instantes me coloco no lugar dela e logo me desepero. Não me vejo sem seu pai, nem durante a gravidez, nem agora.

Ele foi meu companheiro, no sentido exato da palavra, durante toda a gravidez. Lembro-me do dia em que decidimos tentar engravidar. Eu perguntei: "Pronto pra ser papai?" e ele sorriu e respondeu "Acho que sim". Eu sempre soube que ele seria o melhor pai do mundo, pois era o melhor marido.

No início da gravidez enjoei demais, e ele sempre esteve ao meu lado. Ele nunca tinha apoiado ninguém durante uma crise de vômito, mas estava lá, firme e forte, segurando minha testa enquanto meu estômago parecia virar ao avesso. Por três meses ele fez comida sem tempero nenhum para nós, e nunca reclamou disso. Fez suco de maracujá às 3h da manhã, quando acordei assustada por um pesadelo. Me achava linda e sempre me elogiava, mesmo quando eu estava mais para Capitão Caverna do que para a Cinderela.

Pintou seu quarto, montou os móveis e desenhou a cerejeira que ilustra uma das paredes. Quis filmar o parto, e tirar foto e comemorar ao mesmo tempo.

E tem tanto mais para falar dele... Que acho que jamais esgotarei. Mas, por enquanto, vale dizer que ele é o nosso herói.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

E se assim fosse?

Filha, hoje tive medo de morrer.

Ontem fomos dormir cedo, você e eu, pois o papai trabalhou até tarde. Eram 22h e já estávamos as duas nos braços do Papai do Céu, dormindo. 1h você acordou pedindo meu colo e mamou até 2h. Depois acordou às 4h59, exatamente um minuto antes do meu despertador tocar. E mamou por mais 40 minutos. O papai já havia tomado banho e deixei você com ele e fui para o chuveiro.

Não foi um banho demorado e a água não estava tão quente para justificar tanto mal-estar. Senti meu coração disparar e tudo foi ficando escuro. Chamei o papai e pedi que ele te colocasse no berço para me socorrer. E ele, com muito carinho, atenção e preocupação me ajudou a sair do chuveiro e se preocupou quando me joguei na cama, molhada mesmo, por não aguentar mais ficar em pé. Foram alguns instante de muito mal-estar, coração disparado e medo. Segurei nas mãos de Deus e o papai deitou comigo na cama e me abraçou bem forte.

Naquele momento, tive medo de não te ver crescer, de não te ver falar "mamãe", de fazer falta pra você. De não estar na porta da escola no seu primeiro dia de aula, de não segurar sua mão na primeira visita ao dentista, de não levantar os braços com você na primeira montanha russa. Medo de você não ter meu colo nas noites frias, de não ter meu assoprar nos seus machucadinhos, de não ter meu abraço na primeira decepção com as amiguinhas. Medo de não poder te ensinar a cantar, de não pintarmos juntas as unhas de rosa, de não estar presente na sua primeira apresentação de ballet.

Tive medo de deseperar o papai, por isso fui dizendo que estava tudo bem. E segurando nas mãos de Deus e apoiada no papai, tudo foi começando a ficar bem, de verdade. Pra ser sincera, ainda estou meio lenta, não consigo raciocinar direito, mas às 11h tenho uma reunião "daquelas", e então voltarei ao meu estado normal.

Te peguei do berço, coloquei no meu colo e te abracei, com todo meu amor. Agradeci muito a Deus por mais esse livramento e por ter permitido que eu não tenha mais esses medos.

Escrevi tudo isso aqui não para você ter medo também, mas para saber que a vida é assim. E estamos sempre sujeitos à vontade de Deus. Por mim, pequenina, eu viveria pra sempre, só pra te fazer feliz.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Tudo novo

Filha, essa semana tem sido cheia de mudanças.

Segunda-feira voltei a trabalhar e deixei o coração em casa, com você. Fui de Guarulhos a São Paulo segurando o choro, e acreditando que ver o lado positivo das coisas me ajudaria. E ajudou.

Você está ótima, com saúde perfeita. Ficou com a vovó Lúcia e, pelo que soube, chorou só um pouquinho quando fui embora, mas logo depois dormiu e seguiu sua rotina o restante do dia. Quando chegamos para te buscar, você me viu e abriu os seus bracinhos, me chamando, pedindo colo. Que delícia! Que recompensador!

Ontem também foi assim... A saudade foi minha companheira, mas não fiquei triste. E hoje te deixei super cedo na casa da vovó Su. Você estava mole de sono, mesmo porque acordar às 4h da manhã e sair de casa às 5h num é pra qualquer um. Antes de fechar a porta, você me deu um sorriso lindo que, mesmo por trás da chupeta, fez meu coração se acalmar.

Sei que a partir de agora não estaremos mais 24h juntas e que alguns dos seus principais avanços eu não verei. A primeira palavra, a primeira engatinhada, o primeiro passo.... Vovó Su e vovó Lu estão encarregadas de registrar tudo.

Minha mesa do trabalho já está cheia de fotos suas, mas nem precisaria. Seu sorriso não sai da minha memória.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O elevador

Aninha, preciso registrar aqui seu fascínio por elevadores.

Sempre que entramos num, você olha fixmente para a luz ou para o espelho, e parece não entender muito bem como podem existir dois papais e duas mamães. E se há mais alguém no elevador, você olha fixamente para essa pessoa até que ela olhe para você. E aí você abre um sorriso lindo que desconserta qualquer mal humorado.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Aqui tem um bando de loucos...

Filha, eu sei que você ainda nem sabe reconhecer a forma do círculo e muito menos ocnsegue pronunciar a palavra "bola", mas já tá rolando um super debate sobre sua predileção no futebol.

No seu chá de bebê, a Tia Tani te presenteou com uma chupeta do Palmeiras, para delírio do vovô Jorge de do Tio Juninho. Confesso que a mamãe orou naquele instante para que aquela profecia não fosse ligada nos céus e o papai nem esboçou reação, já que ele prefere que você seja palmeirense, são-paulina, santista, torça pro XV de Piracicaba ou Ituano - menos pro Corinthians.

Um tempo depois, a Tia Dri veio de Munique e te deu um body do FC Bayern Munchen. Ok, no comments. Que o Tio Naldo não saiba disso... hihihi.

E sábado agora foi aniversário da Tia Lolóu, e quem ganhou presente foi você! Além de uma touca linda cheia de pompons da Tia Bete e outra rosa estilo francesinha da Tia Kinha, você ganhou um presente muito importante e significativo do Tio Leo: sua primeira camisa do Timão.

Raiva em uns, alegria em outros. O Tio Vini tentou te subornar oferecendo uma toalha do São Paulo, mas seu coração nem se abalou. O papai saiu de lá dizendo que não era para impormos o seu time, mas para você escolher quando, pelo menos, souber o que é uma bola.

Saudade do que ainda não foi.

Filha, este blog é para você. Para que você saiba que cada detalhe seu é valoroso demais para nós.

Estava pensando... por que eu não comecei a escrever isso antes?

Acho que porque pretendia dedicar todo o meu tempo a te conhecer e te reconhecer... E nos tempo livres, dormir um pouco. Mas não me arrependo de ter começado agora. Você está prestes a completar 5 meses, e eu prestes a voltar ao trabalho.

Pronto, talvez seja isso. Um refúgio para a saudade que já sinto... Saudade desses nossos dias tão intensos e tão serenos juntas. De irmos dormir olhando uma para a outra e de acordarmos assim também... De passarmos as manhãs na sala brincando e as tardes com o papai.

Hoje você tomou seu primeiro suco de laranja lima. Assim como eu previa, você estranhou um pouco no começo, mas depois gostou. Diferente de como foi com a fórmula de leite.

Aliás, a fórmula de leite merece um parágrafo só pra ela. Você recusou a todo custo outro leite que não o meu. Uma semana inteira que o papai e eu tentamos te oferecer a mamadeira e você esperneava mais do que eu na hora de acordar. Agora vocês fizeram as pazes, e você a aceita à noite, antes de dormir.

Já sinto saudade disso....

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Antes tarde do que mais tarde...

Será que eu me lembro como se faz isso?

No final da minha adolescência e início da vida adulta (ou: quando deixei de ser estagiária para ser funcionária), eu tinha um blog. Era menina dos Olhos. Mas não me lembro onde estava hospedado nem o que me motivava escrever lá.

E, quem diria... Depois de pelo menos 8 anos, estou eu aqui de novo, me rendendo ao blog. Mas, desta vez, por um motivo mais justo e MUITO mais nobre que qualquer outro: a minha Ana.

A idéia de criar isto aqui é para registrar os principais momentos da minha Ana... Para que as pequenas recordações não se percam. E, analisando qual forma era melhor pra registrar tudo, pensei: melhor registrar tudo em documentos do Word ou em um caderno de capa bonita...

Depois de mais uns poucos segundos, pensei: que egoismo! A memória da minha Ana num deve ser registrada unilateralmente... Ela é tão especial para tantas outras pessoas...

Por isso a idéia do blog. Eu, como fã número 1 e escpectadora fiel dela, escreverie aqui sobre seus dias. E você, que a tem em seu coração, comenta e me ajuda a ilustrar para a pequena as delícias e prazeres que ela nos faz viver.

Muito bem. Blog criado, Aninha resmungando ao meu lado aqui na cama e feijão por fazer.

Volto assim que ela dormir um pouco e que eu tenha feito toooooooodo o restante de coisas.